Bem Vindos à Frota Estelar IV

Continuando com nossa série de artigos sobre liderança e soft skills na série Jornada nas Estrelas, e numa homenagem atrasada (foi mal pessoal!) a todas as intrépidas gerentes de projetos do mundo, vamos falar da primeira mulher a aparecer nas séries ocupando a cadeira de capitão. Se você ainda não viu os outros artigos da série Star Trek, não perca tempo! Click aqui!

Kathryn Janeway

Capitã Kathryn Janeway
Capitã Kathryn Janeway

Enviada na missão de capturar uma nave rebelde Maqui, Kathryn Janeway, (Kate Mulgrew), contemporânea de Jean-Luc Picard e Benjamin Sisko, foi literalmente jogada com sua nave, a USS Voyager (ST:VOY), no outro canto da galáxia por uma força alienígena. A 70.000 anos luz da Terra, Janeway e sua tripulação iniciam uma viagem de volta com uma desconfortante estimativa de termino: 75 anos.Para piorar a situação, Janeway ainda teria que lidar com o fato de que os rebeldes que deveria ter capturado, foram adicionados à sua tripulação. Se não trabalhassem juntos, jamais teriam chances de retornar à Terra. Janeway teria que ganhar a confiança de pessoas que até então viam a Federação como um inimigo – complacente com a tirania de uma raça alienígena.
Janeway, assim como Picard, era uma líder inspiradora, pronta a dar a vida pela tripulação (o que ela acaba fazendo em 3 episódios, que por sorte terminam com a linha do tempo sendo reiniciada e a capitã trazida de volta a vida, ou alguma outra anomalia do tipo).

O que aprendemos com Kathryn Janeway

Janeway representa o gerente de projetos “atrás das linhas inimigas”. Ela precisava trabalhar sempre na pior das situações, com o pior dos prazos, com a equipe com os piores índices de motivação, recursos limitados e extremamente difíceis de repor e quase todos os stakeholders estavam contra ela.

Janeway estava em território desconhecido, mas diferente de Archer e Kirk, ela conhecia as regras do jogo. A pergunta era: As regras ainda se aplicam uma vez que o cenário mudou tão radicalmente? Com uma força de caráter impar, Janeway decide que sim, e mesmo sendo forçada a sofrer consequências graves, não abre mão do código de ética que jurou seguir – e ela não exigia menos dos seus subordinados – mandando um tremendo exemplo moral para a tripulação.

Janeway precisava sempre e antes de tudo, avaliar as expectativas dos seus stakeholders. Dentro da nave, Federação e Maquis (aliados e neutros/inimigos). Fora da nave, todas as raças alienígenas da região (que em sua maioria, queriam a nave pela sua tecnologia). Janeway nos mostra a importância do gerenciamento de stakeholders. Por mais de uma vez, ignorar as expectativas das partes interessadas quase deu cabo do projeto (voltar para a Terra), da nave e da vida de todos dentro dela.

“Um líder deve ser duro com os processos, mas doce com as pessoas”. Janeway não tinha papas na língua quando precisava disciplinar seus subordinados, mas respeitava todas as regras necessárias ao fazê-lo: quando precisava recriminar ou aplicar um “corretivo”, o fazia cara-a-cara e num ambiente separado dos demais, preservando a dignidade do indivíduo, sem rebaixá-lo na frente de subordinados, afinal, quando a professora lhe mandava pra sala do diretor, todos sabiam que alguma você tinha aprontado.

Do mesmo modo, Janeway sabia quando parabenizar seus oficiais, mesmo que as vezes de forma relativamente discreta, mas ela sempre o fazia, ficando aqui mais uma lição para nós gerentes de projeto: Mesmo um simples “bom trabalho” é melhor do que nada. Se puder dar uma folga, promoção, aumento, bônus, faça isso (sempre por merecimento, claro). Se não, mande um email-cartão de agradecimento! Ligue e diga o quanto o trabalho daquela pessoa foi fundamental. Janeway não era só respeitada pela tripulação, mas também era considerada uma amiga por muitos. E conseguir isso num cenário em que tudo está contra você não é pouco.

Diego Nei, MBA, PMP®

Diego Nei, MBA, PMP®

Consultor em Gerenciamento de Projetos e Processos. Bacharel em Relações Internacionais, MBA em Gestão de Projetos, Certificado PMP, com domínio de MS Project 2007/2010. Atuação em projetos de porte pequeno e médio em diversas áreas, principalmente no desenvolvimento de treinamentos, implementação de metodologias e acompanhamento de projetos.

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